“Cloroquina para covid-19 gera desassistência a doentes crônicos”, diz Fábio Trad

Notícias

29/06/2020

Parlamentar critica postura do governo, que gera corrida às farmácias, fazendo preço do medicamento disparar e sumir das prateleiras para quem realmente precisa

por Assessoria

 
“Tenho lúpus desde 2011, faço uso deste remédio desde 2012, porém não estou encontrando para comprar. As farmácias de manipulação estão cobrando muito caro, pois a matéria-prima está escassa. Eu e mais algumas pacientes de doenças autoimunes estamos lutando para conseguirmos essa medicação, que é de uso contínuo”. O medicamento a que a jornalista Luane Morais se refere é a hidroxicloroquina, em falta nas farmácias desde que o presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), passou a defender o uso dela e da cloroquina para o tratamento da covid-19.
 
Queixas como a da jovem campo-grandense são facilmente encontradas nas redes sociais de todas as partes do país e chegam, em tom de súplica, ao deputado federal Fábio Trad (PSD-MS). O parlamentar, que tem sido um dos principais porta-vozes na denúncia contra a postura do governo federal, de total descrédito à ciência, garantiu que acionará o Ministério da Saúde e demais órgãos competentes de Brasília para a tomada de medidas urgentes.
 
“Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mais renomadas revistas científicas e respeitados laboratórios, e, até mesmo a agência de saúde dos Estados Unidos (FDA), condenam o uso da cloroquina para a covid-19, o Brasil vai na contramão do mundo recomendando e até publicando protocolo para que os médicos receitem a droga aos pacientes”, lamentou o deputado. “E, além disso, gera uma corrida sem precedentes pelo medicamento que gera uma total desassistência aos doentes crônicos, que são aqueles que realmente precisam. Algo precisa ser feito pelas autoridades, afinal estamos diante de um risco de agravamento do quadro de milhares de pessoas”.
 
Oferta/Procura – Segundo a plataforma de busca Consulta Remédios, a procura por hidroxicloroquina em seu sistema aumentou cerca de 70 vezes nos quatro primeiros meses do ano. Em janeiro, a busca pela droga foi de 6.940 e em 21 de maio totalizou 488.152.